O Metodismo em São Carlos
Uma boa esperança
A semente do metodismo na região de São Carlos foi plantada em 16 de novembro de 1900, na casa do Sr. Pedro Ribeiro de Mattos, na Fazenda das Palmeiras, quando foi organizada a “Egreja Methodista Episcopal do Sul”, que adotou o sugestivo nome de Boa Esperança.
50 pessoas foram incluídas no rol, 26 mulheres e 24 homens. O pastor nomeado para cuidar da implantação da nova comunidade foi o Rev. J. W. Wolling, que na época exercia o cargo de presbítero presidente do Distrito de S. Paulo.
Lista dos membros da Igreja Metodista da Boa Esperança
1 – José Candido de Oliveira
2 – Geraldina Carolina do Nascimento
3 - José Candido de Oliveira Junior
4 – Genésio Candido de Oliveira
5 – Manoel Candido de Oliveira
6 – Anna Benedicta de Oliveira
7 – Antonio Candido de Oliveira
8 – Francisco Candido de Oliveira
9 – Octavio Candido de Oliveira
10 – Deocleciano Candido de Oliveira
11 – João Candido de Oliveira
12 – Porcina Maria de Oliveira
13 – Joaquim Candido Alves de Oliveira
14 – Anna Maria da Conceição
15 – Maximiano Gomes Nogueira
16 – Florentina Martins da Conceição
17 – Emilia Gomes Nogueira
18 – Manoel de Oliveira Campos
19 – Francisca de Barros Campos
20 – Horacio de Barros Campos
21 – Manoel de Barros Campos
22 – Amelia de Barros Campos
23 – Alice de Barros Campos
24 – Horacio de Oliveira Machado
25 – Feliciana Gomes de Oliveira
26 – Genesio José do Amaral
27 – Maria de Barros Campos
28 – Felizarda Maria da Conceição
29 – Palmiro José do Amaral
30 – Esaltino José do Amaral
31 – Manoel José do Amaral
32 – Antonio Garcia de Medeiros
33 – Brisabella Nogueira de Medeiros
34 – Epifanio José de Souza
35 – Eugenia Ferreira de Abreu
36 – Manoel Feliciano de Lima
37 – Clara Maria da Silva
38 – Maria Luiza da Silva
39 – Etelvina Eulasia de Lima
40 – America Maria de lima
41 – Celestina Maria de Lima
42 – Francisca Maria de Mattos
43 – Mafalda Caminala Olandina
44 – Julieta Olandina de Mattos
45 – Maria Candida de Mattos
46 – Florentina da Silva Ramos
47 – Aquila Pareno de Araujo
48 – João Luiz de Castro
49 – Pedro Ribeiro de Mattos
50 – Maria Justina de Castro
Viagem missionária
O Rev. J.W. Wolling, convidado pelos metodistas da Fazenda das Palmeiras para regularizar a organização da nova igreja, conta como foi sua viagem e a atividade desenvolvida. Diz ele:
No dia 14 deste saí de S. Paulo com o fim de visitar os nossos irmãos(...) A viagem é bem longa, pois saindo de S. Paulo às 5 hs. da manhã e viajando sempre pela Paulista, com baldeações em Rio Claro e São Carlos do Pinhal, chegamos a Ribeirão Bonito, o fim da linha, às 3 e 30 da tarde. Até aí é já um bom pedaço, mas para chegar à Fazenda é preciso viajar ainda cinco léguas a cavalo. De modo que só as 9,30 da noite cheguei, como se pode imaginar, um pouco cansado. (...)
Os nossos irmãos se acham colocados em lugar bem saudável e de terras muito boas. As roças já feitas estão viçosas e os cafezais muito carregados do precioso grão. (...) Eles têm por costume celebrar um culto todos os domingos, dirigido pelo Sr. Joaquim Cândido de Oliveira.
Chegado lá e avisados os irmãos e vizinhos, já no dia 15 à noite tivemos um culto bem concorrido. No dia seguinte começamos com um culto de oração às 7 horas da manhã, estando presentes todos os irmãos. Ao meio dia houve pregação do Evangelho celebrando-se também a Santa Comunhão. Nesta ocasião foram recebidos por profissão e batismo, os seguintes senhores: Pedro Ribeiro de Mattos e João Luiz de Castro e a senhora D. Maria Justina de Castro. Foram batizadas também duas crianças. Consultados os irmãos, eles resolveram por voto unânime pedir a transferência dos seus nomes do Registro da Igreja do Sertão e do da Igreja de Mendes para serem eles organizados numa Igreja onde eles atualmente residem. Pois, anuindo ao pedido deles foi na reunião da noite organizada a nova congregação com 50 membros. Neste número constam 41 membros da igreja do Sertão e 6 da igreja de Mendes.(...)
Foi realmente uma ocasião de grande contentamento para os crentes, e os vizinhos, que em bom número vieram assistir aos cultos, mostraram-se visivelmente impressionados por estes atos da nossa santa religião, pela primeira vez presenciada por eles. A nova Igreja vai com o título “Igreja da Boa Esperança”, sendo nomeados para ecônomos os irmãos Pedro Ribeiro de Mattos, José Cândido de Oliveira e Joaquim Cândido Alves de Oliveira. (Expositor Cristão, 29/11/1900, pp.4-5).
Nossa história
Quem são essas pessoas que formaram a Igreja Metodista da Boa Esperança?
Em primeiro lugar é preciso explicar quando e como elas se tornaram metodistas.
Tudo começou com o Sr. Francisco Cândido de Oliveira, que outrora fora empregado do Rev. G. W. Chamberlain, missionário presbiteriano, e se convertera á fé evangélica. Como em Barra Mansa (RJ) não havia nenhuma igreja evangélica, certo dia do ano de 1891 o Sr. Francisco Candido de Oliveira encontrou-se com Bernardino da Veiga, que na época era exortador licenciado da Igreja Metodista do Catete e ativo colportor (distribuidor de Bíblias e de tratados evangélicos) da Sociedade Bíblica Americana. Ao realizar seu trabalho evangelístico junto aos passageiros dos trens da Estrada de Ferro D. Pedro II, Bernardino foi convidado por Francisco Candido de Oliveira a visitar Sertãozinho, localizado a três léguas de Barra Mansa, e pregar o Evangelho aos seus familiares.
No dia combinado, Bernardino da Veiga, com sua mala cheia de livros, cumpriu o compromisso e marchou a pé a distância que separava o pequeno núcleo de moradores da cidade de Barra Mansa. A partir de então o evangelista metodista realizou inúmeras visitas ao grupo, que foi reforçado por vizinhos das famílias Gomes Nogueira, Barros Campos e Oliveira Machado, e finalmente, em 2 de maio de 1893, foi organizada a Igreja Metodista da Missão de Barra Mansa, com 24 membros, pelo Rev. E. A. Tilly. O templo foi construído mais tarde, sendo consagrado em 26 de março de 1898.
Na época era comum os lavradores se mudarem de um local para outro com muita freqüência. Foi o que ocorreu com os 47 metodistas que deixaram o Estado do Rio de Janeiro e se mudaram para o interior de São Paulo, formando assim a Igreja Metodista da Boa Esperança, em 16 de novembro de 1900.
Entre Boa Esperança e São Carlos (1900 – 1932)
Relação de pastores que deram assistência ao trabalho metodista em Boa Esperança:
Jorge L. Becker | 1902 |
J. L. Bruce | 1902 a 1903 |
J. R. Carvalho | 1904 a 1905 |
A. J. de Mello | 1905 a 1908 |
José Leonel Lopes | 1909 a 1910 |
João A. da Costa | 1911-1912 |
José da Costa Reis | 1913 |
Walther G. Borchers | 1914 a 1917 |
José Benedito Nunes | 1918 a abril de 1925 |
Antonio Martins | Maio de 1925 a Outubro de 1925 |
Affonso Bevilacqua | Novembro de 1925 a 1930 |
José de Andrade | 1931 |
Boa Esperança e Dourado
O trabalho metodista em Dourado começou em janeiro de 1915, realizado pelo rev. Walter Borchers. Conseguiu gratuitamente o empréstimo do cinema local e lá pregou inúmeros sermões alcançando um bom público, entre 100 a 500 pessoas em algumas ocasiões. Em maio de 1915, 14 adultos freqüentavam regularmente o trabalho e sete deles estavam se preparando na classe de catecúmenos. O culto era realizado ao meio-dia do domingo e nessa época havia dificuldade para a realização de escola Dominical, visto não haver entre os que freqüentavam o trabalho pessoa capacitada para dirigir os trabalhos.
Foram realizados trabalhos de cultos e escolas dominicais nas seguintes fazendas e vilas da região: São Manuel, Pedra Branca, Brochado, São Benedito, São Jerônimo, Jerônimo Franco, Fazenda do Coronel Joaquim de Arruda Camargo, Estiva, Chave Macaia, Ibitinga, Tabatinga, Java, Nova Europa, Bocaina e Santa Maria.
O rev. Guaracy Silveira, importante pastor metodista e que mais tarde tornou-se deputado federal constituinte de 1934, foi pastor ajudante no circuito de Boa Esperança. Vide seu relatório de 27 de janeiro de 1916:
Durante o mês passado permaneci no circuito de Boa Esperança visitando as diversas congregações. Fiz três pregações na congregação da fazenda São Manuel, em Dourado onde duas pessoas estão prontas para professar. Na cidade preguei duas vezes e fiz algumas visitas que, segundo parece, tem tido melhor resultado que as pregações.
Em Boa Esperança foram três pregações e uma pessoa deu o primeiro passo. Na fazenda Pedra Branca preguei a 70 pessoas e voltei satisfeitíssimo com o trabalho ali, quatro pessoas deram o primeiro passo. Na Fazenda Brochado preguei três vezes a boas congregações.
A Gripe Espanhola, que matou milhões de pessoas em todo o mundo, também fez grandes estragos na região. O rev. José Benedito Nunes explica que em 1919 o trabalho metodista foi quase suprimido em Dourado e Boa Esperança.
O trabalho metodista do circuito de Boa Esperança fazia parte do Distrito de Ribeirão Preto. A partir de julho de 1922 ele foi transferido para o Distrito de Campinas, sob a supervisão do presbítero presidente rev. Onofre Di Giacomo.
Um das maiores dificuldades para a solidificação do trabalho era a constante mudança da população. O rev. José Benedito Nunes, em relatório de janeiro de 1923, diz o seguinte:
Nesta cidade onde estou morando provisoriamente (Ribeirão Bonito) temos tido apenas reuniões familiares onde cantamos hinos e lemos as Escrituras e oramos, tenho visitado a todos os nossos irmãos em suas casas, assim como pregado onde há oportunidade para isso. A nossa congregação neste circuito é bastante espalhada moram em fazendas. São na maior parte colonos e por essa mesma razão não vão constante aos cultos, este ano estão nesta ou naquela fazenda, terminado o ano mudam-se para outra fazenda e muitas vezes para lugares bem distantes, e por essa mesma razão a estatística quase que não pode ser a mesma todo o ano; este ano por exemplo, o rol acusava 63 pessoas com um aumento pequeno. Porém, antes de terminar o ano mudaram-se para outros pontos do Estado 10 pessoas; de formas que em vez de 63, hoje é 53 e por estes dias mudam-se mais 6. Desapareceram 4 pessoas q não se sabe onde é o paradeiro e por essa mesma causa os lugares de reunião são sempre suprimidos”.
Em Dourado a Igreja Metodista adquiriu uma casa para residência pastoral, com um salão para o culto e Escola Dominical, situada a Rua Floriano Peixoto, n. 52.
O rev. Affonso Bevilacqua, em relatório de janeiro de 1927, apresenta um esboço do trabalho metodista no circuito:
Nomeado na ultima Anual em Ribeirão Preto, para o circuito de Boa Esperança, chegamos na Villa de Dourado, no dia 8 de novembro p.p. Iniciamos o trabalho em Dourado no dia 21 de novembro, com a presença de três senhoras que residem em Dourado e de minha esposa.
Desde então temos feito algumas visitas, espalhado convites, de forma que o trabalho vai crescendo sensivelmente, nos parecendo ser promissor.
No domingo passado, dois de janeiro, iniciamos o trabalho da Escola Dominical com poucos alunos, esperando termos um número maior para organizar a Escola Dominical.
Em Dourado, pregamos todos os primeiros, terceiros e quintos domingos do mês e todas as quartas-feiras. Os segundos e quartos domingos prego de manha em Ribeirão Bonito e de noite uma vez em Trabijui e outra em Pedra Branca.
Em Ribeirão Bonito residem na cidade 8 membros, 7 moram numa fazenda, uns crentes presbiterianos. Temos 4 candidatos.
Os cultos são regularmente freqüentados, e creio que brevemente teremos de pregar nalguma noite da semana ou no sábado da noite.
Trabijui é mais um ponto de pregação, aonde residem uns crentes. Toda vez que tenho pregado em casa de crentes, temos tido reuniões bem animadas, assistindo pessoas estranhas, prestando boa atenção. Há esperança de alcançarmos algum resultado.
Quando a pedra Branca, residem na estação e na fazenda vizinha 14 membros da Igreja com suas famílias. Falta de elemento, devido a serem colonos, não é possível organizar uma Escola Dominical. Pregamos na Fazenda onde temos reuniões bem regulares.
Em Boa Esperança não trabalhamos por não haver uma casa para pregar e mesmo por só residir um casal de crente, e que por estes dias vai se mudar, ficando sem ninguém na cidade.
Sentimos que em todos esses lugares não temos casas adequadas para pregar, pregando em lugares acanhadíssimos e emprestados por favor, de forma que não podemos desenvolver o trabalho.
A longa enfermidade da esposa do rev. Affonso Bevilacqua, que a partir de janeiro de 1928 passou a sofrer de grave reumatismo e artrite, prejudicou bastante sua atuação no circuito. Diz ele, em março de 1929: Em Dourado, devido ao estado melindroso de minha esposa só tenho pregado aos domingos ao meio-dia, sendo-me impossível pregar a noite, por me achar fatigadissimo pelas muitas vigílias, direi antes, continuadas vigílias, pois há mais de 8 meses que não sei o que é repousar duas horas por noite, e deixo a nos imaginar como será possível com uma mente e um corpo cansado pregar duas vezes, e enquanto estou pregando estou ouvindo os gemidos, embora muito abafados, da pobre doente!
A grave crise econômica de 1929, que se abateu sobre todo o mundo, também prejudicou fortemente a região que dependia do comércio do café. É o que mostra o relatório de abril de 1930: Apesar do êxodo forçado de um bom numero de crentes que se mudaram para outros lugares, apesar da crise inclemente que a todos assoberba, o estado da nossa igreja não esmoreceu. (...) As informações que tenho do trabalho nos demais pontos do circuito são um tanto animadoras, não assim porem em Dourado, de onde no breve correr do tempo, devido a crise cafeeira, mudaram-se para outras zonas 17 membros dos 25 que se compunha nossa congregação.
Em janeiro de 1931 o rev. José Andrade assumiu o pastorado do circuito, substituindo o rev. Affonso Bevilacqua. Seu ministério foi marcado pela completa dedicação ao trabalho e o grande otimismo em relação às possibilidades de expansão do trabalho. No seu primeiro relatório, de 19 de janeiro de 1931, ele assinala o seguinte:
Em Dourado o nosso trabalho vai magnificamente bem. Não há mais lugar no salão para comportar a assistência, verificando-se com tristeza que grande numero de pessoas voltam do salão para as suas casas por falta de lugar.
Não sabemos como poderemos resolver esta dificuldade. O povo está, de facto, com vontade de ouvir a pregação do Evangelho. Em Ribeirão Bonito o trabalho prossegue com a animação de costume. Em Trabijú o trabalho é bastante animador, pois as reuniões são muito concorridas e os amigos interessados estão manifestando desejos de seguir a Cristo(...). Em Pedra Branca também estamos contentíssimos com o resultado do trabalho, pois o salão esta sendo pequenino para comportar a numerosa assistência. Não recebemos nenhum novo membro, porque queremos dar mais tempo para reflexão e preparo conveniente dos candidatos.
O início do metodismo em São Carlos - marcado pela ética e generosidade
O Rev. José Andrade mudou-se para São Carlos, Rua Geminiano Costa, n. 2, no início de janeiro de 1932.
Desde sua chegada passou a visitar e realizar reuniões e cultos nas casas dos crentes metodistas estabelecidos na cidade e recebeu, da parte de uma pessoa interessada no Evangelho, a promessa de doação de um ótimo terreno para a instalação da igreja Metodista.
Fazendo uma avaliação mais cuidadosa, reconheceu que a situação era mais delicada do que aparentava. Isto porque diversas famílias presbiterianas se prontificaram a apoiar seu trabalho e, além do mais, os metodistas estavam integrados na igreja presbiteriana e representavam um terço do potencial econômico daquela igreja. Se os mesmos saíssem de forma abrupta, como estavam dispostos a fazer, aquela igreja irmã sofreria forte abalo e teria problemas para saldar os compromissos financeiros orçados.
A solução encontrada pelo Rev. José Andrade foi pedir que os metodistas continuassem contribuindo com a Igreja Presbiteriana, aguardando o tempo necessário para que aquela igreja pudesse se preparar convenientemente para a mudança. Movido pela ética pastoral, prezada naquela época, o Rev. José Andrade entendeu-se com o responsável pela igreja irmã e no dia 18 de fevereiro de 1932 organizou a Igreja Metodista em São Carlos com um grupo reduzido de membros.
Rev. José Andrade - Fundador do metodismo em São Carlos
O rev. José Andrade assumiu a paróquia de Dourado no início de 1931, que compreendia um rol de oitenta e seis membros espalhados em diversas comunidades, Dourado, Ribeirão Bonito, Pedra Branca, Trabijú e em diversas outras fazendas da região.
O pastor anterior, Afonso Bevilacqua, que entre 1926 a 1930 esteve a frente desse trabalho, nos últimos dois anos quase nada pode realizar em função da grave enfermidade de sua esposa. No seu último relatório, de setembro de 1930, diz que “entre os irmãos reina harmonia e paz” e que dão bom testemunho. Destaca que a “terrível crise financeira que está assoberbando o mundo inteiro” está produzindo graves conseqüências na sua comunidade, principalmente entre aqueles que vivem da lavoura, que tiveram seus salários drasticamente reduzidos e muitos que perderam seus empregos.
Desde sua chegada o pastor entendeu que sua principal tarefa era a de motivar aquela desfalecida comunidade. E ele enfrentou todas as dificuldades com determinação, coragem e muita fé. E os resultaram surgiram imediatamente.
No seu primeiro relatório, de 19 de janeiro de 1931, as notícias são boas. Diz que em Dourado o trabalho está indo “magnificamente bem” e que não há espaço no salão para comportar o grande número de pessoas que procuram a igreja. É com muita tristeza e aperto no coração que percebe muitas pessoas retornando para suas casas sem conseguirem espaço para assistirem os trabalhos. Assinala não saber como resolver essa dificuldade e entende que o povo está com grande vontade de ouvir a pregação do Evangelho.
O mesmo entusiasmo ele percebe nas outras congregações. Diz que em Ribeirão Bonito o trabalho prossegue com a animação de costume, que em Trabijú o trabalho é bastante animador e as reuniões são muito concorridas e os interessados estão manifestando desejos de seguir a Cristo. Assinala que o mesmo ocorre em Pedra Branca e que está contentíssimo com o resultado do trabalho, “pois o salão esta sendo pequenino para comportar a numerosa assistência”.
Nesse mesmo ano de 1931 ele reabre o trabalho metodista em Boa Esperança, desaparecido em fins de 1926, reorganiza a Escola Dominical em Dourado, desativada desde final de 1928, funda as sociedades de Mulheres e de Jovens nas comunidades de Dourado e Pedra Branca, organiza uma congregação em Sampaio Vidal, com Escola Dominical e cultos. Para resolver de vez o problema de espaço no salão alugado de Dourado ele inicia uma campanha para arrecadar fundos para a edificação de um templo próprio, mais espaçoso. O mesmo ele faz em Ribeiro Bonito, motivando o grupo a dar os primeiros passos para a compra de um terreno e construção de um templo.
José Andrade reconhece que a severa crise que se abateu sobre aquela zona cafeeira trouxe grandes sacrifícios para toda a população, mas também compreende que a situação exigia muito mais trabalho e dedicação. Atento aos clamores missionários assinala que muitas coisas chamam sua atenção: “ nossa sala tão pequena, a falta de mobília, os irmãos espalhados por Bariry, Bocaina, Nova Europa e Tabatinga sem cuidados pastorais”.
A primeira referencia à cidade de São Carlos surge no relatório de 28 de janeiro de 1932. Nele, José Andrade comunica sua mudança para essa cidade, a rua Geminiano Costa, n.2, ocorrida no início de janeiro de 1932.
A paróquia de Dourado fazia parte do Distrito de Campinas, supervisionado pelo Rev. Walter G. Borchers. Havia poucos obreiros atuando no distrito, todos eles com responsabilidade sobre amplos circuitos geográficos. Não havia nenhuma disponibilidade de que a Igreja Metodista enviasse novos obreiros para apoiar o trabalho na região. Com essa sua mudança para São Carlos, José Andrade pretendia ampliar ainda mais a área de atuação.
Oficialmente, a igreja metodista em São Carlos foi organizada em 18 de fevereiro de 1932. No livro de rol constam os nomes de quatro pessoas, José Melucci e Sebastião Carvalho, que fizeram profissão de fé, e Carolina Herche Andrade e Rachel Andrade, respectivamente esposa e filha do pastor. Outra filha, Ruth Andrade, somente no mês de outubro deste mesmo ano é que veio se juntar a família e ajudar o pai na implantação do metodismo na cidade. No mês seguinte, em março de 1932, mais quatro pessoas se integraram a igreja, Amador Costa, Rosa Loyde Costa, Procópio Westim Wasconcellos e Auta Escobar Wasconcellos.
Os avanços foram rápidos. No relatório de 28 de abril de 1932 o rev. José Andrade se diz muito satisfeito com o desenvolvimento do trabalho, prevê para breve a organização definitiva da Igreja, com a eleição dos obreiros para ocuparem os respectivos cargos. Informa que a Escola Dominical já está funcionando normalmente e que também havia criado uma Sociedade Metodista de Senhoras, com 14 sócias e outros melhoramentos.
Relatório pastoral sobre o primeiro ano de trabalho em São Carlos
É com imenso prazer que venho apresentar o relatório do quarto e ultimo trimestre do ano eclesiástico que estamos encerrando. Fizemos o nosso trabalho regular e só não nos foi possível visitar todas as congregações em virtude das dificuldades creadas pela revolução. Entretanto, as noticias que podemos dar do nosso trabalho são muito satisfatórias. Neste novo trimestre recebemos mais um irmão por transferência o qual foi apresentado no terceiro concilio trimensal aqui realizado. Em nossa congregação de Tamoyo invoquei no dia 8 do corrente a benção matrimonial sobre o casamento de nosso irmão Sr. Jorge Ither com nossa irmã senhorita Eleloina Silva Pinto. Na mesma data e no mesmo local batizei a pequena Noêmia, filhinha do nosso irmão José Christi e de nossa irmã D. Maria Luiza de Paula. Também no mesmo dia e no mesmo local recebi, por batismo e profissão de fé, o Sr. Jorge Ithesh, que é mais um bravo soldado que se alistou no exercito da salvação. A Escola Dominical, a Sociedade Metodista de Senhoras e a Sociedade Metodista de Crianças estão em franca atividade e o nosso movimento financeiro é muito satisfatório, pois tanto a igreja como os seus departamentos estão com tudo em dia. Há vários candidatos a profissão que ainda não recebemos porque estamos dando tempo para melhor preparo e observação.
E é assim que terminamos o nosso primeiro ano de trabalho em São Carlos e agradecemos a valiosa cooperação de todos os irmãos e irmãs, termino pedindo a direção e a benção de Deus para o novo ano de trabalho que vamos iniciar. Vosso menor irmão na fé. José Andrade – São Carlos – 20 de outubro de 1932.
A Revolução de 1932
O metodismo em São Carlos começou no mesmo ano em que se deu a famosa Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo entre os meses de julho a outubro de 1932, com o objetivo de derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e promulgar uma nova constituição para o Brasil.
Nas atas da Igreja, em 24 de agosto de 1932, após o inicio dos primeiros combates, o Rev. José Andrade escreveu:
Estamos presentemente sob o peso da dolorosa impressão dos efeitos da revolução no Estado de São Paulo e no Brasil. Tenho andado de joelhos nestes dias e tenho pedido as congregações e aos crentes que andem do mesmo modo.
Os crentes, como eu com eles, mostram-se muito impressionados, mas todos estão pondo os olhos no autor e consumador da fé.
Nossa situação financeira ficou muito prejudicada ultimamente com a crise a mais ainda com a guerra. Entretanto, estamos orando, vigiando e trabalhando para salvar a situação”. Meses depois, em relatório de 19 de outubro de 1932, assinala que “terminada a revolução, restabelecido o tráfego de trens e mais acalmados os ânimos, parece que a paz se restabelece e se estabiliza entre nós. Devido as dificuldades produzidas pela revolução não me foi possível visitar todas as congregações.
Visão social
No início do metodismo em São Carlos o rev. José Andrade procurou conscientizar a congregação a respeito da importância de se dedicar atenção especial aos pobres e oprimidos. Um dos seus alvos foi o Asilo Colônia de Pirapitingui, localizado entre as cidades de Itu e Sorocaba, fundado em 1931 e que abrigava mais de mil leprosos.
Nas Atas do Quarto Concílio Regional Central da Igreja Metodista, realizado em São Paulo nos dias 9 a15 de Outubro de 1933, há suplemento que faz menção especial a esse trabalho. Diz que o Evangelho de Cristo tem sido pregado a auditórios de 300 a 500 doentes e muitos estão se preparando para a profissão de fé. Foi organizada entre os internos uma Comissão de Cultivo Espiritual, responsável por todos os trabalhos administrativos e religiosos entre os doentes, e iniciada uma parceria entre metodistas e presbiterianos, com apoio da Comissão Brasileira de Cooperação, para a manutenção do trabalho. Desde a inauguração da Colônia o grande responsável pela assistência espiritual dos doentes foi o Rev. Walter Borchers, pastor em Campinas (SP) e superintendente do Distrito do qual fazia a recém-criada igreja de São Carlos, que buscou apoio entre as demais igrejas para a construção de um templo evangélico em Pirapitingui.
São Carlos e as demais igrejas metodistas da região foram generosamente solidárias, oferecendo apoio material e espiritual. Caravanas metodistas visitavam freqüentemente a instituição.
Fundação do metodismo em São Carlos
Em primeiro lugar damos graças a Deus porque estamos apresentando o nosso primeiro relatório neste Concílio trimensal, o primeiro que se realiza nesta cidade. Nomeado, este ano, para Dourado e São Carlos, com residência nesta cidade, aqui chegamos na primeira quinzena de janeiro deste ano e em data de 18 de fevereiro, neste mesmo salão, as 7 horas da noite, começamos nosso trabalho evangélico metodista nesta cidade o que no mesmo dia, antes da reunião, participamos por escrito, a vários irmãos , entre eles o pastor da Igreja Presbiteriana desta cidade.
Nossa primeira reunião foi fraca, a segunda já foi melhor, e assim por diante, temos tidos excelentes reuniões e muito boa aceitação a par a muitas perturbações que apareceram para experimentarem nossa fé, nossa paciência e disposição. Assim, até hoje temos vencido aqui dificuldades que, mencionadas, bem poderiam servir para a composição de algumas paginas da historia da fundação da Igreja metodista em São Carlos.
Graças a Deus o metodismo é um ramo evangélico humilde e civilizado, que entre seus pares, está na altura de trabalhar na boa de ganhar alma para Jesus Cristo. Pois é o que temos feito com prazer, de maneira que nossa Igreja já existe em São Carlos, já paga orçamento para nosso Concílio regional, já fez as suas despesas em está em dia. Já recebemos até esta data 22 membros a comunhão desta Igreja, os quais foram recebidos dos seguintes modos: Por profissão de fé, em data de 16 de abril, o Sr. Henrique Augusto Wodvootzlby; por batismo e profissão de fé a senhorinha Carmem Gaspar; por voto o senhor Amador Costa e D. Roza Loyde Costa, e os outros foram recebidos por transferências das igrejas a que pertenciam.
Temos trabalho de evangelização em três pontos na cidade e temos também vários candidatos preparando-se para fazerem brevemente a sua publica profissão de fé. Já temos duas congregações organizadas; uma na estação de Campo Alegre, onde já temos alguns membros e candidatos e a outra em Itaquery da Serra, onde estamos vendo surgir, se Deus quiser, uma boa congregação. Presentemente a maior preocupação da Igreja Metodista de São Carlos está na construção do seu templo e podemos dizer, que já estamos fazendo alguma cousa nesse sentido. Portanto, a Igreja Metodista de São Carlos em tão pouco tempo já existe com 3 congregações, 1 Escola Dominical, 1 Sociedade Metodista de Senhoras e uma Sociedade Metodista de Crianças. Agradecendo a cooperação de tão bons irmãos e irmãs, excelentes companheiros que Deus me deparou nesta cidade, termino dando graças a Deus por tudo e pedindo maiores bênçãos para o novo trimestre que vamos iniciar.
Vosso irmão José Andrade
(Primeira Conferência Distrital realizada em São Carlos. 25 de agosto de 1932)
Templo metodista em São Carlos
A primeira idéia de um templo metodista em São Carlos surgiu logo no início do trabalho, por ocasião da mudança do Rev. José Andrade, em janeiro de 1932, a Rua Geminiano Costa, n.2.
No relatório de 28 de janeiro de 1932, após assinalar que o inicio do trabalho se limita a reuniões nas casas dos crentes, ele antecipa o projeto de um templo ao registrar que “um interessado já me falou na possibilidade de dar-nos um ótimo terreno para um templo metodista em São Carlos. Essa possibilidade não se verificou e nem sabemos se o interessado na fé metodista tornou-se membro da igreja.
Após os primeiros cultos nas residências dos metodistas, foi alugado um salão na rua João Pessoa, n. 81, e nesse local, as 19 horas do dia 18 de fevereiro de 1932, foi organizada a Igreja Metodista em São Carlos.
Pode-se afirmar que a Sociedade de Mulheres foi o grupo que mais se empenhou no projeto de construção do templo metodista em São Carlos. A própria organização dessa sociedade tinha esse propósito, já que numa das primeiras reuniões, em 1932, foram distribuídos cofres “Salomão” para as sócias, visando angariar ofertas. Para se ter uma idéia do trabalho realizado pelas mulheres, basta dizer que do montante arrecadado pela igreja até maio de 1933 e que foi depositado pela Junta de Ecônomos na Caixa Econômica, mais de 70% foi conseguido pelas mulheres. Também a Sociedade de Jovens, “Jóias de Cristo”, desde o início de sua organização procurou contribuir com o “fundo de edificação”.
No relatório de 26 de janeiro de 1933 o pastor José Andrade assinalou o seguinte:
Para que o nosso trabalho alcance os objetivos desejados é necessário que tenhamos o nosso templo próprio, que é agora o objeto de nosso cuidado. Gostaríamos mesmo de sugerir a idéia de nesse concilio estudarmos e resolvermos alguma cousa que nos ponha no caminho por onde temos de andar para conseguirmos o nosso templo da Igreja Metodista em São Carlos. A nossa igreja tão nova, com uma despesa regular com aluguel, orçamentos e outros gastos necessários, ainda pode muito pouco, de modo que necessita de membros esforçados e consagrados que estejam, de continuo com Jesus Cristo em oração até que possa andar com mais firmeza no caminho do Reino de Deus.
Em agosto de 1933 foi transferido o local do trabalho metodista, deixando a rua João Pessoa e indo para a rua Santa Cruz, n.50. Entretanto, o local não agradou e poucos meses depois a preocupação era procurar melhores instalações, como assinala o pastor José Andrade, em relatório de 29 de julho de 1934: “O trabalho prossegue com verdadeira animação, e presentemente estamos tratando de alugar uma sala maior, a fim de concentrarmos o nosso trabalho, ao mesmo tempo em que estamos trabalhando ativamente para edificarmos um templo para nossa igreja em São Carlos”.
O local escolhido foi um prédio localizado a rua 13 de maio, canto da rua José Bonifácio, mudança feita em setembro de 1934 graças ao grande apoio das sociedades de mulheres e de homens, e que produziu ânimo na comunidade, como se observa na avaliação do pastor: “Como vêem os irmãos, estamos instalados agora em um salão mais amplo e com o nosso mobiliário em melhores condições para a continuação e desenvolvimento do nosso trabalho em São Carlos.
Em dezembro de 1935 os metodistas ficaram animados com a possibilidade de comprar um prédio para a instalação dos trabalhos metodistas. É o que revela o pastor José Andrade: Agora nossas vistas dirigem-se para a compra de um prédio próprio nesta cidade, um negocio que nos é oferecido por preço vantajoso, e se fizermos o negocio teremos então uma Casa própria onde poderemos trabalhar com mais probabilidades em São Carlos.
Como se tratasse de um bom negócio, o pastor e os oficias da igreja se apressaram em conseguir da Junta de Missões Nacionais um empréstimo para a efetivação da compra. Infelizmente, não foi feita a negociação porque o proprietário não aguardou o tempo necessário e vendeu a outro interessado. Na ocasião, em 2 de janeiro de 1936, o próprio bispo César Dacorso Filho veio a São Carlos para ajudar na transação. Com o fracasso, a verba foi devolvida e o próprio bispo assinalou que aquela importância ficaria na caixa da Imprensa Metodista, à disposição da igreja de São Carlos para futura negociação.
O Pr. José Andrade ficou em São Carlos até dezembro de 1936. Foi nomeado para a igreja de Botucatu. No seu lugar veio o pastor Antonino José da Silva, que permaneceu pouco tempo na cidade e quase nada realizou. Nos seus relatórios há enorme pessimismo com relação aos trabalhos da igreja. Em outubro de 1937 afirma ter visitado pontos missionários de campo Alegre, Angico, fazenda Palmeiras e Américo Brasiliense. Não dá maiores informações sobre a situação dos primeiros, mas sobre o último, Américo Brasiliense, assinala não ter encontrado os crentes metodistas, que se mudaram do lugar e não deram satisfação. Diz que as viagens são dispendiosas e incomodas. De forma geral, considera que os “trabalhos e a vida espiritual da igreja são sofríveis”.
Uma das primeiras mudanças feitas pelo novo pastor foi transferir a igreja para novo endereço, a rua 9 de Julho, n. 79, para um prédio menor e mais barato.
Antonino José da Silva permaneceu pouco tempo no distrito e quase nada realizou, já que ficou incumbido de cuidar de diversas congregações e dedicou restrita atenção ao trabalho em São Carlos.
Cyrus Basset Dawsey chegou a São Carlos em junho de 1939. Foi nomeado em janeiro, mas por razões de saúde demorou alguns meses para ocupar o novo posto. Nesse período, os trabalhos foram dirigidos por Melchiades Vieira, superintendente da Escola Dominical, sob supervisão do Rev. José Carlos Person, presbítero presidente do Distrito de Piracicaba.
Uma de suas primeiras medidas tomadas pelo rev. Cyrus foi conseguir um novo espaço para as reuniões da Igreja, a rua Jesuino de Arruda, n. 152 (n.1911 atual). No seu primeiro relatório, de 12 de agosto, assinala haver encontrado uma nova sede para o trabalho metodista na cidade. Diz que “fomos felizes em conseguir a casa onde funcionava a Sociedade Hespanhola, uma casa espaçosa com salas para as classes da Escola Dominical. Sentimos que foi Deus quem nos dirigiu na escolha de um logar tão bom para os nossos trabalhos”. Relata ainda que a inauguração se deu no domingo, dia 6 de agosto, com a presença de 169 pessoas.
Desde sua chegada a São Carlos a grande marca do Rev. Dawsey foi o extremo otimismo em relação ao potencial promissor do metodismo. Quatro meses após, escreve em seu relatório que o trabalho continua numa boa marcha e que mais três meses de atividades serão suficientes para confirmar as grandes possibilidades de desenvolvimento do trabalho na cidade. Assinala ter em mente “uma boa igreja metodista em São Carlos, com um bom numero de membros, um bom templo, um centro de evangelização nesta região”. É otimista e tem os pés no chão, sabe que para conseguir alcançar o que traz na alma serão necessários alguns anos de trabalho dedicado e “uma porção de graça e bom jeito por parte dos irmãos que agora estão na frente do trabalho”.
No final desse ano de 1939, após seis meses a frente da comunidade, confessa seu grande desejo de relatar inúmeras vitórias na área material, mas informa que isso ainda não foi alcançado. Entretanto, avalia que uma boa base já foi edificada e que essa estrutura é fundamental para se conseguir todas as demais coisas. Diz que há entre os metodistas bom ânimo, muita disposição e fé, aquilo tudo que fará com que a Igreja Metodista de São Carlos seja uma igreja forte, grande e boa.
Sua avaliação é de que tudo melhorou, a assistência aos cultos, a Escola Dominical, o trabalho desenvolvido pelas sociedades, inclusive as finanças da Igreja. Com o avanço, sua maior preocupação é a de conseguir um lugar mais adequado para o trabalho, já que dentro de pouco tempo o salão atual não mais comportará a congregação que ali se reúne.
Em meados do ano seguinte, 1940, suas previsões se concretizaram com o aumento na assistência aos cultos e especialmente na Escola Dominical, exigindo a procura de uma nova sede. Isso ocorreu graças ao “notável trabalho realizado na campanha de evangelização feita em casas particulares” e as quatro séries de pregações realizadas. Em função desses trabalhos a lista de candidatos a profissão de fé cresceu, alcançando trinta nomes. O fundo financeiro destinado a construção do templo aumentou nesse período e o objetivo passou a ser a compra de uma propriedade nos próximos meses, ainda nesse ano de 1940.
No relatório seguinte, de 16 de dezembro de 1940, o próprio Rev. Cyrus B. Dawsey ressalta que “a nota dominante deste relatório é a compra de uma propriedade na rua Major José Inácio, n. 130, de propriedade da Prefeitura Municipal, pelo preço de 8.010,00, onde ficará estabelecida permanentemente a Igreja Metodista de São Carlos”. Pela grande vitória conseguida, lança um voto “de agradecimento ao nosso Pai do céu” e assinala que a escritura foi passada no dia 20 de dezembro, será passada na próxima semana. E nessa mesma reunião o Concílio Paroquial aprovou o pedido de ajuda financeira ao Conselho Central, para a edificação do templo metodista na cidade.
Para a mudança e ocupação do novo espaço foram realizadas reformas e adaptações, sendo que no início de 1941 a comunidade já estava instalada a Rua Major José Inácio. Nessa época a Igreja Metodista em São Carlos, que fazia parte do Distrito de Piracicaba, supervisionado pelo Rev. Augusto Schwab, contava com os seguintes oficiais: Pedro Gomes Escobar (guia-leigo), Sebastião Simões Rodrigues (tesoureiro e secretário), Izabel G. Araujo (arquivista), Pedro Gomes Escobar (superintendente da Escola Dominical), Izabel de Paula (presidente da Sociedade de Senhoras) e Anna Bueno Escobar (presidente da Sociedade de Crianças).
Como parte das celebrações pela instalação em local próprio, em junho de 1941 os metodistas de São Carlos hospedaram o Concílio Distrital, recebendo um bom grupo de pastores e delegados. Durante alguns dias, importantes pregadores ocuparam o púlpito e transmitiram edificantes mensagens: Afonso Romano Filho, Isnard Rocha, Natanael Inocêncio do Nascimento, Walter Borchers e Oswaldo Luiz da Silva. Com isso, os trabalhos da igreja e o entusiasmo da comunidade foram animados a tal ponto de o Rev. Dawsey prever o surgimento de um profundo e verdadeiro avivamento espiritual.
O grande anseio de toda a comunidade era a construção do templo. No relatório de 8 de janeiro de 1942 decidiu-se solicitar a Prefeitura e a Delegacia de Saúde mais um ano de prazo para a construção, continuando desenvolvendo todos os esforços possíveis na campanha de arrecadação de fundos.
Em outubro de 1942 o Rev. C.L. Schimith entregou o projeto do novo templo e a igreja decidiu esperar algum tempo para fazer a planta. Em janeiro do ano seguinte ficou decidido que seria construído um pavilhão que atenderia provisoriamente e que mais tarde, quando fosse construído o templo, esse pavilhão ficaria destinado a Escola Dominical.
Nessa mesma ocasião, em 25 de outubro de 1942, os oficiais da igreja perceberam que o prédio onde estavam se reunindo não oferecia a devida segurança e cuidaram de mudar os trabalhos da igreja para outro lugar. Além do mais, com o início da construção do pavilhão, seria necessária a demolição do antigo prédio e a mudança para outro local. Portanto, durante alguns meses os cultos foram realizados na sala da residência da família de Sebastião Carvalho, enquanto que as classes da Escola Dominical se reuniam em diversas outras casas particulares, de Elisa Andrade, Alice Labachi, Arlindo Bittencourt, Sebastião Carvalho e de Pedro Gomes Escobar.
No dia 25 de maio de 1943 foi iniciada a construção da primeira parte do pavilhão, conforme revela a ata do lançamento da pedra fundamental: “Aos 25 dias do mês de julho de 1943, as 15 horas e 30 minutos em o local sito a rua Major José Inácio, n. 130, deu-se a cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental da Igreja Metodista do Brasil, em São Carlos(...). A oração foi feita pelo rev. Cyrus B. Dawsey. O Rev. Raymundo Faria, pastor da Igreja Presbiteriana, fez a leitura de Crônicas, 22, dos salmos 127 e 118 e de versículos de 1 Coríntios. O discurso oficial foi feito pelo pastor presbiteriano. O coral presbiteriano cantou”.
Essa primeira parte da obra foi rápida, apenas um mês. No final de junho os cultos passaram a ser realizados nesse pavilhão, sendo que as classes continuaram a se reunir nas casas dos membros. Outras partes que deveriam ser construídas eram a capela e o templo.
Com a presença do bispo César Dacorso Filho foi inaugurada, em 2 de abril de 1944, a segunda etapa do projeto, a Capela, que recebeu o nome de “Cenáculo da Igreja Metodista”. O clima na igreja era de grande otimismo, conforme se percebe no relatório preparado pela Junta de Ecônomos:
Com satisfação relato que o movimento da Junta de Ecônomos, durante o segundo trimestre foi bom. Há sempre harmonia de ponto de vistas, entre os seus membros e boa vontade de trabalhos em todos. O secretario esmera-se em trazer o seu livro de atas em dia e em ordem o que faz com religioso cuidado. Igualmente satisfaz o cuidado e zelo que o tesoureiro revela com o seu trabalho, apresentando uma escrita perfeita. A Junta sente-se orgulhosa com a atenção e boa vontade da Igreja, sempre solicita em atender os seus apelos. Tudo isto congregado com a solicitude e cooperação do pastor tem redundado no bom andamento e sucesso dos trabalhos da oficialidade da igreja.
Com a saída de Cyrus B. Dassey, no final de 1945, assume em seu lugar Samuel Alves de Mello.
Havia planos de se construir um novo templo. É o que mostra os relatórios de julho de 1956, que trata sobre as visitas feitas por um engenheiro que estava preparando a planta do novo templo. Entretanto, como ocorreu com relativa freqüência em toda a história da igreja metodista em São Carlos, com a mudança pastoral os projetos anteriores são abandonados. Com a chegada do Pr. Antonio Nunes Moreira, também nomeado para cuidar do trabalho metodista em Limeira, o plano de construção foi rapidamente abandonado, com a justificativa de que a “igreja deveria se interessar mais pela evangelização, mais pela salvação de almas, do que, como estão pensando alguns, na construção de um novo templo. De que adiantará um templo enorme e vazio?”.
Sociedades metodistas da Igreja em São Carlos
Mulheres
A primeira sociedade organizada na Igreja Metodista em São Carlos foi a Sociedade de Senhoras, em 3 de maio de 1932, com 20 sócias arroladas.
A diretoria eleita ficou a seguinte:
Presidente: Rosa Loyde Costa
Vice: Nyla E. Maroni
Secretaria: Auta Escobar Vasconcellos
Tesoureira: Carolina Andrade
Logo após a organização da sociedade, nos dias 4 e 5 de junho, a missionária norte-americana Leila Epps, visitadora regional da Sociedade Metodista de Senhoras, esteve em São Carlos oferecendo maiores explicações sobre o funcionamento da entidade e sobre projetos e atividades que poderiam ser desenvolvidos pelas mulheres.
As reuniões mensais da sociedade eram realizadas a Rua João Pessoa, n. 81, residência de Rosa Loyde Costa. Um dos objetivos da sociedade era angariar fundos para a construção do almejado templo metodista em São Carlos. Nas reuniões de sociabilidade eram vendidos doces, bolos e outras guloseimas, sendo que cada uma das sócias recebeu o “Cofre Salomão”, com o objetivo de angariar recursos para o templo.
Em 1934 a Sociedade de Senhoras passou a admitir a presença de homens em seus quadros, criando a Sociedade de Mulheres e Homens, da qual faziam parte quase todos os adultos da igreja. Com isso, no ano seguinte, em 1935, a sociedade passou a se chamar Sociedade Metodista de Adultos e seu trabalho principal consistia em conseguir um templo na cidade.
Crianças
A Sociedade de Crianças da Igreja Metodista em São Carlos, conhecida na época como “Liga Jóias de Cristo”, foi organizada no dia 6 de junho de 1932, uma segunda-feira, às 18 horas, com 13 sócios. Após oração feita pelo pastor José Andrade foi realizada a eleição, ocupando o cargo de diretora Cleyde Escobar Vasconcellos, com as seguintes crianças ocupando os respectivos cargos:
Presidente – Carmem Gaspar
Tesoureiro – Auria Costa
Secretaria – Genny Marinho Carvalho.
Após a eleição e posse foi cantado o hino n. 137 e a seguir a presidenta Carmem Gaspar leu a história do Jardim do Éden, ficando a cargo de Cleyde Vasconcellos fazer as devidas explicações, enfatizando a importância de se aprender com aquele episódio e que não devemos desobedecer a Deus. Para concluir essa parte devocional foi feita uma oração por Genny Marinho Carvalho e cantado o hino n. 543, “Quero ser um anjo”. A reunião foi terminada com todos repetindo juntos o lema da sociedade: “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”.
Homens
É verdade que os homens da igreja a partir de 1934 tiveram a opção de participar da Sociedade de Mulheres e até transformaram A Sociedade Metodista de Homens da Igreja Metodista em São Carlos foi organizada em 14 de julho de 1945, com 25 sócios, sob a presidência de Serafim Rodrigues.
Juvenis
Em junho de 1948 foi organizada a Sociedade de Juvenis da Igreja Metodista em São Carlos, tendo como conselheiras Ana B. Escobar e Alice Labachi.
Curiosidades
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Primeiras crianças batizadas na Igreja Metodista em São Carlos:
O Batismo ocorreu em 16 de julho de 1933. Foram batizadas as seguintes crianças, filhos de Manoel Gaspar e Margarida Gaspar: Mercedes, nascida em 22.11.1922, Silvina, nascida em 25.05.1925, Manoel Gaspar, nascido em 17.10.1929, Walter, nascido em 9.03.1933, Nelson, nascido em 3.10.1931. Nessa mesma ocasião também foram batizadas duas outras crianças, Rosa, nascida em 30.08.1922, filha de Miguel Marane e Marcionilha Cordeiro Souza, e Ulda, nascida em 22.11.1932, filha de Antonio Quintino da Silva e Olivia Cunha da Silva.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Primeira visita de um bispo metodista à Igreja Metodista em São Carlos
Cesar Dacorso Filho, eleito bispo metodista em 1934, esteve em São Carlos em 2 de janeiro de 1936.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Recomendados ao pastorado pela igreja Metodista em São Carlos
O primeiro foi Cyrus Basset Dawsey Júnior, arrolado como membro da Igreja Metodista em São Carlos em 19 de outubro de 1939. Permaneceu em São Carlos até 31 de dezembro de 1945, ocasião em que seu pai, o rev. Cyrus, pastor da igreja local, foi transferido para Piracicaba e eleito bispo e ele se mudou para os EUA, com o objetivo de realizar seus estudos de teologia e preparação para o ministério pastoral. Outro foi Omir Ondrade, recebido a comunhão da Igreja Metodista de São Carlos em 13 de julho de 1941, quando estava com 15 anos de idade. No Concílio Paroquial de 8 de janeiro de 1942 ele foi recomendado a Junta de Educação Cristã para estudos como aspirante ao ministério. É importante lembrar que o rev. Omir Andrade continua no trabalho pastoral.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Herman Schutzer fez profissão de fé e se tornou membro da Igreja Metodista de São Carlos em 31 de dezembro de 1942, com 17 anos de idade, sendo eleito no ano seguinte para compor a Junta de Ecônomos e como presidente da Sociedade de Jovens. Durante 55 anos, até seu falecimento em 1 de maio de 1997, Herman Schutzer atuou na área administrativa da igreja e em diversos outros ministérios.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Zulmira Carreira Schutzer fez profissão de fé e se tornou membro da Igreja Metodista de São Carlos em 31 de dezembro de 1945, com 19 anos de idade. Durante muitos anos atuou como arquivista, secretária e em muitos outros ministérios da igreja.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Oswaldo Dias da Silva esteve na Igreja Metodista de São Carlos em março de 1943, na condição de presidente da Federação das Sociedades Metodistas de Jovens. Outra visita feita por ele ocorreu por ocasião da inauguração do Centro Social da Boa Vista, em 1976, quando já era bispo da nossa V Região Eclesiástica.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Concurso entre as Escolas Dominicais do Distrito - No segundo semestre de 1945 foi realizado um concurso entre as Escolas Dominicais metodistas do Distrito. Na ocasião, São Carlos ficou em primeiro lugar.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Escolha do hinário da igreja - Em julho de 1948 foi realizada uma votação para a escolha de um hinário a ser utilizado pela Igreja Metodista de São Carlos. Na ocasião, ficou decidido que a igreja usaria o hinário “Salmos e Hinos, que obteve 23 votos, sendo que o “Hinário Evangélico” recebeu apenas 10 votos. No final de 1953 houve outra escolha e a igreja optou pelo novo hinário evangélico.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Placas de bronze - A placa de bronze em memória de Ethel Sanders Dawsey, localizada na parede do templo, ao lado da mesa de som, foi feita em 23 de julho de 1950, como homenagem póstuma da igreja pelo excelente trabalho realizado em São Carlos pela esposa do rev. Cyrus B. Dassey, falecida em dezembro de 1949. Outra placa de bronze foi afixada, na mesma ocasião, na casa pastoral da rua Episcopal, também em homenagem a família Dawsey que havia doado a propriedade. Esse imóvel foi vendido em 1966.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Jornal da mocidade metodista - A sociedade de jovens da Igreja Metodista de São Carlos organizou um jornal, denominado Jornal Metodista, tendo saído o primeiro exemplar no dia 12 de outubro de 1952.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Conselho das Igrejas Evangélicas de São Carlos - O Conselho foi organizado em março de 1947, sendo eleito como presidente o pastor metodista Nelson Lacerda.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Conselho de pastores de São Carlos - Coube ao pastor metodista Edmo da Costa Moura a incumbência de organizar o Conselho de Pastores evangélicos de São Carlos, em outubro de 1956.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Asilo para a velhice - Em junho de 1950 a Sociedade metodista de Homens da Igreja Metodista em São Carlos adquiriu um terreno, destinado para a construção de uma capela e abrigo para a velhice desamparada. Na mesma ocasião foi iniciada uma campanha para levantamento de fundos para a construção. Grande parte do valor foi doado por Serafim Rodrigues, presidente da sociedade. A obra foi iniciada e no final de 1954 foi completada a cobertura do salão. Houve mudança nos planos e foi instalada no local a Igreja Metodista de Vila Palmares.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Colcha de retalhos - As mulheres da igreja, principalmente as irmãs Emiliana, Marina e Helena, se lembram muito bem da preciosa colcha de retalhos feita pela Sociedade de Mulheres e entregue ao bispo Dawsey e a sua senhora, na ocasião em que permaneceram alguns dias em São Carlos realizando campanha evangelística, em junho de 1955. Na época, o pastor da igreja era Edmo da Costa Moura.
<!--[if !supportLists]-->· <!--[endif]-->Capela ambulante - A Capela ambulante da Igreja Metodista visitou duas vezes a cidade de São Carlos. A primeira visita foi feita em 1950, durante o pastorado do rev. Ovidio Antonio de Souza, ocasião em que realizou ótimo trabalho evangelístico. A outra visita foi realizada em setembro de 1952, quando o missionário metodista Louis Nelvin esteve na cidade e o aparelho de filmagem não funcionou.
Relação de pastores - I. M. da Boa Esperança
Jorge L. Becker | 1902 |
J. L. Bruce | 1902-1903 |
J. R. Carvalho | 1904-5 |
A. J. de Mello | 1905-1908 |
José Leonel Lopes | 1909-1910 |
João A. da Costa | 1911-1912 |
Elias Escobar Filho | 1913 |
J. C. Reis | 1914-1916 |
W.G. Borchers | 1917 |
José Benedito Nunes | 1918 - 1924 |
Affonso Bevilacqua | 1925 - 1930 |
José Andrade | 1931 |
Igreja Metodista em São Carlos
José Andrade | 1932 - 1936 |
Antonino José da Silva | 1937 - 1938 |
Cyrus Basset Dawsey | 1939 - 1945 |
Samuel Alves de Melo | 1946 |
Nelson Lacerda | 1947 |
Antonio Pacitti | 1948 |
Ovidio Antonio de Souza | 1949 - 1950 |
Edmo de Costa Moura | 1951 - 1956 |
Antonio Nunes Moreira | 1957 - 1958 |
Edmo de Costa Moura | 1959 - 1960 |
Arlindo Rodrigues Rocha | 1961 |
Jairo Nunes da Silva | 1962 |
Charles R. Heath | 1963 - 1965 |
Joel Cardoso | 1966 - 1969 |
Domingos Fernandes | 1970 - 1974 |
Ari Barbosa Monteiro | 1975 |
Ezequiel Lopes Pereira | 1976 - 1981 |
Edemir Antunes | 1982 |
Maria Rosenice Nogueira da Silva | 1983 - 1985 |
Edemir Antunes | 1986 - 1990 |
Jonas Lopes de Oliveira | 1991 - 1995 |
Ubirajara de Oliveira | 1996 - 1997 |
Leônidas da Cruz Machado | 1998 - 1999 |
Samuel Azevedo | 2000 |
Paulo Marinho | 2001 |
Olivia Regina de Lima Freitas | 2002 - 2009 |